Cividade de Terroso

 

Cividade de Terroso

Este povoado fortificado proto-histórico, situa-se numa elevação com cerca de 153 metros de altitude, onde se regista um longo período de ocupação (800/700 a. C. - séc. III d. C.) e que forneceu já importantes elementos de estudo para a história dos povos castrejos e da implantação romana.

Pensa-se que a construção e ocupação da cividade se deu por volta de 500 a. C. / séc. I d. C. Apresenta vestígios de mais de 80 casas de planta circular e mais de 15 rectangulares. A organização urbana deste povoado aproxima-o ao esquema dos grandes povoados castrejos proto-urbanos da fase mais recente da Idade do Ferro do Norte de Portugal, do tipo da Citânia de Sanfins ou da Cividade de Âncora, caracterizado pela existência de um plano ordenador.

O povoado fortificado mostra uma organização defensiva constituída por três linhas de muralhas. A plataforma central da Cividade era circundada por um forte sistema defensivo constituído por dois muros paralelos construídos com grandes blocos e pedras de tamanho médio sem argamassa, com as faces exteriores de aparelho regularizado e o intervalo entre ambos preenchido com saibro.

As outras duas linhas defensivas são reconhecíveis por desníveis e afloramentos de muros. Na plataforma central, o ordenamento urbano mostra um arruamento lajeado pelo centro do povoado, parecendo cruzar-se com outro formando quatro grandes unidades.

Cada um destes quadrantes está dividido em núcleos familiares constituídos por várias construções em torno de um pátio, quase sempre lajeado.

A sua descoberta e escavação deu-se nos inícios do século XX pela mão de Rocha Peixoto e desde 1980, vêm-se realizando trabalhos arqueológicos tendentes à sua escavação, estudo e valorização. Numa intervenção efectuada em 1906 / 1907 foram identificadas estruturas sepulcrais as quais constituem um documento muito raro no contexto dos povoados fortificados da Idade do Ferro do Norte de Portugal.

No Museu Municipal existe um "Núcleo de Arqueologia" onde está em exposição o espólio mais significativo desta estação arqueológica.

 Protecção
IIP, Dec. nº 44 075, DG 281 de 05 Dezembro 1961 
 
Enquadramento
Rural. Localiza-se numa elevação com c. de 161 m de altitude máxima, sobranceira à extensa várzea que se prolonga até ao mar.

 

 

O povoado fortificado mostra uma organização defensiva constituída por três linhas de muralhas. A plataforma central da Cividade era circundada por um forte sistema defensivo constituído por dois muros paralelos construídos com grandes blocos e pedras de tamanho médio sem argamassa, com as faces exteriores de aparelho regularizado e o intervalo entre ambos preenchido com saibro. As outras duas linhas defensivas são reconhecíveis por desníveis e afloramentos de muros. Na plataforma central, o ordenamento urbano mostra um arruamento lajeado axial, no sentido E - O pelo centro do povoado, parecendo cruzar-se com outro no sentido N - S, formando quatro grandes unidades. Cada um destes quadrantes está dividido em núcleos familiares constituídos por várias construções em torno de um pátio quase sempre lajeado.

 

Cronologia
500 a. C. / séc. 1 d. C., meados - Construção e ocupação da cividade; 1906 - o povoado foi escavado pela primeira vez por Rocha Peixoto; 1907 - os proprietários do terreno não deixaram que as escavações continuassem e obrigaram a que a terra fosse recolocada sobre as ruínas; 1980 - segunda campanha de escavações, sob a responsabilidade de Armando Coelho Ferreira da Silva da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP); 2003 - conclusão de obras de dinamização do espaço, com o apoio do Programa Operacional da Cultura. 
 
Tipologia
Povoado fortificado proto-histórico com três linhas de muralhas. A organização urbana deste povoado aproxima-o ao esquema dos grandes povoados castrejos proto-urbanos da fase mais recente da Idade do Ferro do Norte de Portugal, do tipo da Citânia de Sanfins ou da Cividade de Âncora, caracterizado pela existência de um plano ordenador. 
 
Características Particulares
Na intervenção de 1906 / 1907 foram identificadas estruturas sepulcrais as quais constituem um documento muito raro no contexto dos povoados fortificados da Idade do Ferro do Norte de Portugal. 
   
Bibliografia
SARMENTO, M., Disperos, Coimbra, 1933, p. 166; ALMEIDA, C. A. F., Póvoa de Varzim e o seu aro na Antiguidade, Boletim Cultural da Póvoa do Varzim, 11 (1), 1972, p. 5 - 34; SILVA, A. C. F., Campanha de trabalhos arqueológicos na Cividade de Terroso (Póvoa de Varzim), 1980, Boletim Cultural da Póvoa do Varzim, 20 (2), 1981, p. 305 - 315; idem, A cultura Castreja no Noroeste Português, Paços de Ferreira, 1986, p. 30 e 39 - 40, Est. XVII - XX e XL; Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, Inventário, Lisboa, vol. II, Distrito do Porto, p. 80; CARVALHO, Elisabete, Póvoa de Varzim investiga ocupação desde o bronze ao medieval in Diário do Minho, 10 Agosto 2006.

 

Intervenção Realizada
1906 - Escavações arqueológicas; 1980 / 1982 - escavações arqueológicas; 2003 - Obras de requalificação do local, limpeza da vegetação infestante, construção do edifício de apoio, criação de acessos e colocação de sinalética; 2006 - trabalhos de limpeza e manutenção.  
 
Autor e Data
Isabel Sereno / Paulo Dordio 1994

 

 

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